Quinta-Feira , 9 de setembro de 2010

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Cuidador do idoso com câncer avançado: um ator vulnerado

17/6/2008

Artigo de Ciro Augusto Floriani e Fermin Roland Schramm

O câncer ocupa um lugar de destaque no contexto das doenças crônico-degenerativas, com mais de 11 milhões de casos novos e sete milhões de mortes, por ano, no mundo. Trata-se, portanto, de uma doença de alta prevalência global e, em nosso meio, verifica-se aumento importante da mortalidade a partir dos trinta anos de idade, em especial, na população geriátrica, na qual se concentram as maiores taxas.

O Ministério da Saúde estimou, em 2002, 128.162 óbitos por câncer, com 81.152 (63%) destes óbitos ocorrendo na população acima de sessenta anos. Há, na atualidade, uma tendência para que sejam transferidos à família os cuidados deste idoso, com aumento da sobrecarga de cuidados, especialmente quando o câncer está com seu curso avançado. Neste contexto surge o cuidador principal, ou seja, aquele responsável pelas tarefas, dentre outras, de auxílio no dia-adia ao idoso dependente e que, em geral, é proveniente do próprio núcleo familiar.

O estudo das famílias dos pacientes dependentes mostra que a escolha do cuidador não costuma ser ao acaso e que a opção pelos cuidados nem sempre é do cuidador, mas, muitas vezes, expressão de um desejo do paciente, ou falta de outra opção, podendo, também, ocorrer de um modo inesperado para um familiar que, ao se sentir responsável, assume este cuidado, mesmo não se reconhecendo como um cuidador.

Em geral, o cuidador passa a assumir múltiplas funções tornando-se cuidador único, eventualmente auxiliado em tarefas menores por outros membros da família. Segundo Topinková, os filhos tendem a dar suporte financeiro e a fazer as tarefas de casa mais pesadas, enquanto que as filhas tendem a prover cuidados pessoais e do dia-a-dia. Johnson & Catalano 15 chamam a atenção para o fato de crianças serem cuidadores de idosos dependentes e que este fato tenderia a ser mais freqüente quando há algum grau de parentesco entre ambos e quando o idoso é viúvo.

O cuidador acompanha o idoso em sua “jornada do câncer”, em suas várias etapas (diagnóstico, tratamento, recidivas da doença e retratamentos, encaminhamento para cuidados paliativos), atravessando-as, em geral, de modo árduo e penoso, motivado por esperança de cura, mas, também, com desilusões, sofrimentos
e importante carga de trabalho dispensada ao paciente, vivências que tendem a se intensificar com a evolução da doença.

Neste artigo buscamos caracterizar, com base na revisão da literatura, os problemas verificados no decorrer do trabalho desempenhado pelo cuidador familiar do idoso com câncer avançado. Apresentamos, também, algumas propostas de intervenção e concluímos pela necessidade de políticas de proteção focalizadas ao cuidador do paciente com câncer avançado, que possam ajudá-lo neste difícil momento de sua vida.

Para conferir este artigo na íntegra, em formato .pdf, clique aqui



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