O estudante de medicina diante da finitude do homem
20/9/2006
Viviane Raquel Buffon, acadêmica de medicina do quarto ano da Universidade de Caxias do Sul.
A decisão de fazer estágio em uma das principais enfermarias do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE) dedicada ao atendimento de pacientes terminais foi muito importante para a minha formação acadêmica.
Afirmo com convicção, principalmente após iniciar um novo semestre (sétimo) e perceber o quanto a graduação falha ao não permitir um espaço para a discussão do processo de morrer e da morte. Não coloco a responsabilidade somente nas faculdades de medicina, pois quem as dirige também é parte da sociedade, que está impregnada pela cultura do “medo da morte” e do sentimento de tristeza e abandono que acompanha esse acontecimento.
Quando iniciei a minha graduação em medicina, no ano de 2003, na Universidade de Caxias do Sul, imaginava que poderia “salvar” os pacientes da morte, proporcionando a cura, já que a própria definição de medicina é a “arte de curar”. No entanto, à medida que comecei a estudar, praticar e a observar os pacientes na clínica médica ambulatorial e hospitalar, compreendi que não estava sendo preparada para decidir sobre a vida ou a morte...