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Dor "atormenta" 48 milhões de brasileiros

17/8/2004

Notícia veiculada pela Agência Brasil - ABr

A dor é um sintoma benéfico, um sinal de que algo não vai bem com o corpo. Em alguns casos, porém, prejudica a recuperação do paciente. A dor crônica, por exemplo, aquela que persiste, em geral, por mais de seis meses, precisa ser tratada de acordo com um conceito mais amplo, que não só o da causa. É o que pregam os médicos dessa nova corrente, que tomou força em várias partes do mundo após a 2ª Guerra Mundial, devido às dores persistentes relatadas por ex-combatentes.

Estima-se, por exemplo, que 30% dos 160 milhões de brasileiros sofram de algum tipo de dor considerada crônica, sendo a maioria em decorrência de doenças crônico-degenerativas. A lombalgia, ou seja, as dores na coluna, são maioria e representam entre 30% e 40% dos casos.

Em seguida, vem a dor de cabeça, ou cefaléia, com 20%. As dores reumatológicas, nas articulações, estão presentes em 10% dos casos. Dores do sistema ósseo-muscular representam 7% dos problemas dolorosos e as dores ligadas ao câncer são responsáveis por 5%. Os percentuais, somados, não resultam em 100% porque um grande contingente sofre, eventualmente, de mais de um tipo de dor.

A questão ganha espaço no meio de saúde e de trabalho porque os prejuízos são praticamente incalculáveis, devido à subjetividade do assunto. No Brasil, pelo menos, não há dados epidemiológicos precisos. O Canadá, único país cujo curso de medicina inclui onze horas exclusivas para o capítulo Dor, fez um levantamento que comprova a importância da prevenção.

O tratamento inicial, por exemplo, custa US$ 500, em nível médio custa US$ 6.800 e, nos casos cirúrgicos tem custo de US$ 30 mil. Quando o problema chega ao nível da incapacidade crônica, o tratamento foi avaliado em US$ 80 mil.

Preocupado também com a formação profissional nas diversas áreas da saúde, o pessoal do Programa de Dor enviará, em breve, ao ministério da Educação proposta de currículo que inclui quinze horas da disciplina dor, inclusive no curso de odontologia.

Nos Estados Unidos, os gastos anuais do sistema de saúde relativos a problemas de dor que pioraram é de US$ 89 milhões. Se forem somados os custos indiretos são US$ 150 milhões. Esses dados fazem parte de relatório elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O documento aponta como modelo o caso da Noruega, que investiu em melhorias ergonômicas em linhas de montagem de suas indústrias e, com isso, obteve redução no número de afastamentos do trabalho de 5,3% para 3,1% do tempo total de produção.

Outro ganho do país nórdico com esse investimento, avaliado em 340 mil kroner (a moeda norueguesa), foi a diminuição da rotatividade no trabalho que era de 30% e caiu para 7,6% ao ano. Houve ainda redução de 3,2 milhões de kroner nos custos operacionais, relativos aos próximos doze anos.

Segundo informações do diretor do Centro de Terapia de Dor e Medicina Paliativa da Fundação Amaral Carvalho (Fac), Antônio Carlos de Camargo Andrade Filho, o custo de pacientes terminais tratados num centro especializado na abordagem da dor e dos cuidados paliativos é três vezes menor do que um paciente mantido numa enfermaria comum. O hospital testou e avaliou as duas formas de atendimento para chegar a essa conclusão.

(Lana Cristina)



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